sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ir atrás do que a gente quer


Esse vídeo não está aí por que vim reclamar da programação noturna da Record - que por sinal é uma porcaria, segundo a dona Juliana. De fato existe um buraco cultural na programação das emissoras de TV Aberta, afinal, elas são de graça, que diferença faz se o conteúdo é manipulado ou não?

Mas, de qualquer forma, essa programação que aliena o público, tenho que admitir, é muito consistente, a ponto de o telespectador esquecer-se do resto do Brasil, e diria mais, do resto do mundo.

De modo geral, a visão crítica do brasileiro tem se fortificado, e não podemos dizer que não temos voz em nosso país, a gente apenas não sabe quando usá-la, nem com quem usar. Esse conformismo que toma conta de nós, nos torna ingênuos quanto aos acontecimentos políticos.

Mas já vem ele falar de política de novo! Não, caro leitor, eu estou aqui pra falar de voz, vez, vontade. Apenas o fato dessa telespectadora tomar uma atitude quanto a programação que não a satisfez já fez toda a diferença. Claro, pode ser que a programação não mude, pois, de forma indireta, sabemos o que mantém parte da Record de pé.

Também não vim aqui falar mal da programação que acerca nossa intelectualidade, uma vez que cometo pecado assim que saio da missa. Muito menos de religião, que não é o foco de hoje, e prefiro que não seja por muito tempo.

Cada ser humano tem uma força de vontade própria, mesmo que ele não saiba, pode mudar o rumo de uma nação. Já dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra” e em parte, ele está certo. Contra ou a favor, cada um tem seus ideais, metas, objetivos e opiniões. Isso é o que acontece com o povo brasileiro, em sua maioria. Mas se é maioria, não são todos. Mas todos da maioria tem a mesma opinião, a de que tudo está bem e que alguém dará um jeito. Não é bem assim.

Todos já estamos cansados de falar: “É por isso que o Brasil não vai pra frente”, e o Brasil vai “pra frente”como, se a gente vê e ouve tudo o que acontece e ficamos parados a mercê de quem comanda as instituições?

Se a gente protestar dividiremos a mesma opinião. Pois já estamos dividindo, sendo unanimes, vendo e ouvindo tudo, reclamando e não fazendo nada pra mudar. Temos que bater palmas pela autoimolação de Mohamed Bouazizi, colocando em evidência a alta taxa de desemprego e insatisfação na Tunisia. Sua morte despertou uma potencial revolta coletiva. Tudo isso decidiu a queda de um ditador mão de ferro que estava a 30 anos no poder. Eu sinceramente aplaudo de pé os egípcios pelo seu feito.

Ah! Mas que tem a ver o Brasil com isso? Nada, decidamente nada, até porque o brasileiro não tem essa garra que eles tem, nem sofre essa ditadura, por isso o nosso ditado é: “Sou Brasileiro, não desisto nunca”, mas também não toma as devidas atitudes e continua sofrendo frente ao que nos aflige. Devíamos nos espelhar nesse povo sofrido, e lutar pelo que realmente vale a pena.

Mas eu usei a frase de Nelson Rodrigues só pra fazer média? Pra deixar bonitinho? Não. O egípcios fizeram o que fizeram, mas eles não sabem se a tempestade acabou, sem querer ser pessimista, mas, eles não sabem se o que vem pela frente é a bonança, ou a continuação da tempestade. De forma geral, num futuro próximo iremos saber se a rebelião unânime foi burra, ou se valeu a pena serem burros para o bem da população.

Apenas uma coisa podemos tirar de tudo isso, devemos correr atrás do que a gente quer, e exigir respostas das instituições. E mesmo que não tenha valido a pena, já sabemos o que não devemos cometer da próxima vez.

 Em memória de Mohamed Bouazizi, e agradecimento aos egipcios.

Você não precisa ver este vídeo, se não quiser. mas pense nisso. E deixe sua opinião nos comentários. O Blog agradece.

Um comentário:

  1. Eu ri muito com o vídeo, pois a moça xinga literalmente a programação da Record

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