domingo, 29 de janeiro de 2012

[CON]Fusão - Explosão


E então tudo muda de figura.
 Todas as emoções retidas resolvem sair de uma vez. Toda a aparente felicidade que você fingia tão bem desaparece e a sua verdadeira face vem a tona.
 Nesse momento os mais terríveis pensamentos lhe vem à mente: uma briga há muito esquecida; palavras que lhe feriram; atitudes que lhe desapontaram... Os piores momentos passam como um trailer em sua mente e você se sente ainda pior, se é que isso é possível.
 Minha reação? Chorar. Desabar. Gritar. Atacar aqueles que não mereciam sofrer o impacto disso tudo.
 Deixei, por uma hora, que pudessem me ver como eu realmente sou.
Tirei todas as máscaras, saí de dentro de todas as cascas que eu uso pra ser suportável e chorei. Deixei que minhas lágrimas rolassem livremente pelo meu rosto. Era como se todo o peso do meu mundo coubesse naquelas lágrimas. E quando eu finalmente me livrei delas, me
livrei do peso.
 Mas é claro que o peso voltou. Dessa vez, pesa mais. A dor é mais intensa. A vontade de deixar que todos vejam o meu mundo desabar é maior do que nunca. E escrever, falar, cantar... Isso ajuda a desviar minha atenção disso tudo. Mas não diminui o peso, não ameniza a dor, não faz com que eu relaxe. Só me desvia disso.
 Talvez a solução seja aquela óbvia e constante que eu ignoro. Talvez não exista solução.
 E mais uma vez, tudo muda de figura.
 Você sorri pra todos, mas chora quando está sozinha. Você exibe uma bela imagem, mas se vê arruinada em frente ao espelho. Você quer que todos te aceitem como é, mas nem você mesma é capaz disso.
 E eu não me desviei do meu propósito. Isso tudo é sobre mim. Mas falar de um outro alguém é mais fácil do que admitir que eu estou quebrada.
 Ana Carolina Simões é estudante de Ensino Médio e escritora convidada do Blog. Escreve para a Coluna [CON]Fusão quinzenalmente.

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