domingo, 20 de maio de 2012

Pandora - Mundos Particulares




Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
[...]
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
[...]
Marisa Monte – Infinito Particular
Falar de mundos particulares não é fácil. São muitas visões e pouco espaço pra tanta coisa. Porém, vamos generalizar um pouco, e internalizar isso, usando o meu exemplo de mundo particular.

Muito se fala sobre paralelos e suas teorias, alguns acreditam que existem outros mundos idênticos ao nosso, em um tempo diferente e uma localização muito distante. Claro que se são diferentes, as vidas não saem dessa linha, logo, não somos nós em outro lugar, apenas pessoas idênticas à nós. Ou não.

Física e suas áreas derivadas não são minhas especialidades. Até porque eu não entendo mundo particular dessa forma.

Quando eu falo em mundo particular, falo de um lugar onde posso organizar meus pensamentos, minhas ações, onde posso agir de acordo com o meu sistema, onde não há limitações físicas ou sociais. Ou será que isso se chama sonho? Talvez subconsciente?

Como diz Jack Johnson, talvez muitas vezes significa um não. E falando em Jack Johnson, ele é um exemplo dos fatores que me transporta pra um mundo particular. Isso dificulta a concepção do termo. Concordo com você. Vamos às minhas teorias então.

A priori, mundo particular é o lugar onde nos refugiamos de algo ou alguém, um lugar físico ou psicológico, onde podemos agir como precisarmos. Quando não precisamos esconder nada de ninguém. Em poucas palavras, é o lugar que nos dá a liberdade psicossocial que precisamos.

A partir daí, vamos construindo, como naquele filme, Inception, os lugares que precisamos pra tal. Não necessariamente os lugares, mas os fatores culturais que ampliam nossa visão. Aí estão a música e a leitura, entre outros, sendo fatores principais para uma elucidação de mundo particular. Algo como um portal.

Mas como seria muito complexo carregar isso pra cima e pra baixo, existem os assimiladores, como por exemplo, quando lemos ou ouvimos música, usamos só uma parte do mundo que precisamos, e quando temos mais tempo, assimilamos isso a outras coisas.

Você já deve ter lido aqui que eu guardo aromas e associo a coisas. Isso, exatamente, faz parte do meu mundo particular. São essas peculiaridades que fazem de cada mundo único. Isso pode explicar, talvez, a ideia de paralelos. É o que nos faz únicos, o que nos refugia.

Por isso talvez algumas pessoa odeiem seus mundos particulares, pois lá guardamos sentimentos também. E lá podemos amar e sentir ódio e todas as outras coisas. Coisas que quando temos que voltar, não podemos expressar, como amores não correspondidos ou chefes odiados. E aí, vai impor repressão de expressões no seu mundo particular? Vamos querer nos prender lá e nunca mais sair?

Como lidar com algo tão simples individualmente, mas tão complexo quando se olha de cima? Uma questão essa que não me arriscarei a responder. Mas deixo um trecho de Heráclito no ar:
“Os que estão acordados têm um mundo em comum;
os que dormem têm 
cada um o seu mundo particular.
O que quer que vejamos quando acordados é morte,
quando dormimos, são sonhos.”


2 comentários:

  1. Quando vc fala sozinho é pq tá entrando no seu mundo particular né, Charlie? haha
    Escrevendo maravilhosamente, como sempre. E eu realmente acho que às vezes precisamos de uma válvula de escape, um tempo e um lugar (seja físico ou psicológico, como vc disse) só pra gnt.. refresca os pensamentos e muitas dúvidas.

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  2. Com certeza, falar sozinho é um dos meus passaportes, hasuiahsaui, e diga-se de passagem, eu falo muito sozinho. Vlw Luh!

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